Tenho em mim, que a coisa mais difícil do mundo é esperar:
Esperar pelo comboio...
Esperar pela nossa vez na consulta com o médico...
Esperar numa fila do supermercado...
Esperar pela sua vez na segurança social ou nas finanças...
Esperar o salário no fim do mês!
Esperar por aquele amigo que nunca mais chega...
Esperar que o sol nasça numa noite de insónia...
Esperar... Esperar... Esperar...
E que bom era se nunca tivéssemos de esperar!
A imensidão de coisas que passa pela minha cabeça enquanto espero, se fossem escritas, encheriam uma biblioteca de inutilidades!
Sempre achei que era boa esperar. Sou paciente e resistente...
Mas sou tão tão boa, que nunca fiz outra coisa a minha vida!
E agora, estou farta de esperar e não consigo esperar mais!
Agora: que é o momento em que mais preciso esperar, chego à conclusão que gastei todos os meus "créditos de espera" em coisas que não devia. Estou endividada em "espera" até mais não!
É sem a "espera final" que mais custa...
E neste momento, em que espero um decisão do homem que amo, considero que esperei demais toda a minha vida e não consigo dar-lhe os "créditos-de-espera" que ele precisa...
Doi-me e custa-me, porque merecíamos os dois o melhor de nós próprios.
E quanto mais me custa esperar, mais ele me faz esperar...
Acho também que quanto mais lhe custa decidir, mais eu o forço a decidir...
Pra mim, é difícil esperar...
Pra ele é difícil decidir...
E assim, eu continuo à espera...
E ele continua sem decidir...
Pergunto-me:
-E se eu não esperasse e desistisse e fechasse este ciclo de Amor? Acabava-se a espera e a decisão. Morria de tristeza, e seguia em frente, vazia mas a caminhar... Como faz toda a gente, que se conforma, que aceita ficar com o razoável, em vez de lutar pelo que ama... Cada vez mais compreendo esse conformismo. Eu que sempre lutei incansávelmente pelos ideiais em que acredito, cada vez mais comprendo o cansaço de quem se "conforma com o suficiente"...
Agora vejo-me à beira de ceder a essa escolha...
Mas...
-E se eu souber respeitar o tempo, se conseguir continuar a sorrir, a ser feliz e a esperar. Se lutar contra esta impaciência que me assombra... E ele conseguir tomar uma decisão livre e generosa para os dois...
Se é este o amor destinado a salvar-me desta fortaleza onde estou presa?
Será que quero mesmo voltar as costas a isto?
Tenho em mim, que a coisa mais difícil do mundo...
...é esperar...
Fragmentos-de-Ser
Expressar o que somos é o que enche a vida de significado, aqui estou expressando pequens partes de vida. Quando o amor e a dor andam de mãos dadas, partilhando uma existência.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
domingo, 1 de maio de 2011
O dia em que morri
Ontem morri! Mas fingi muito bem... respirava regularmente, ao ritmo, ao compasso, a cada terceira batida...
Afinal morrer não é assim tão mau!
Eis o momento de bloquear todo e qualquer sentimento, sinal de vida e existência.
Agora já não existo mais.
Deixei de Ser, de Haver, de Existir!
É assim a morte... um poço fundo, sem fim, onde nada existe.
Já não doi o corpo, já não doi o espirito abandonado
Já nada doi...
É apenas a morte, a ausência, o não ser.
Prefiro permanecer morta.
E escolho fazê-lo.
Sei que flutuo na morte por minha própria vontade: que bastaria olhar pra cima e procurar esperança.
Sei que teria força: tenho-a sempre!
Sei que resistiria: porque eu sempre resisto!
Sei que aguentaria: eu aguento sempre!
Mas não quero resistir, não quero mais aguentar, não quero mais ser resiliente! Acabou.
Saber desistir é uma qualidade que eu não tenho. Por isso, prefiro permanecer morta.
Não quero ser mais abalroada por esta ternura que transborda do teu sorriso.
Para ti é igual... Mas para mim, não...
Fica com a minha lividez, sucumbe ao peso da morte!
A minha morte! Um peso, que por mais que treines nunca vais conseguir levantar...
Vive com a culpa: porque foste tu que me mataste!
Quem pode confiar em alguém?
Por isso vivo com a minha morte, a minha escuridão, o meu fim. Porque não me abandonam, não me desprezam, não fingem não me amar...
Porque me acompanham, porque escutam a minha dor e tornam-na sua, até a dor ser novamente morte...
Não me amam mais que tu, mas são constantes, fiáveis, perenes...
Não sorrio, não existo, não sou...
Mas não sofro!
Porque não sou e não penso!
Porque na ausência da morte está a tua ausência...
Na escuridão apaga-se o teu ser prateado...
No fim, nada mais há a dizer!
Acaba-se a felicidade e a dor. Como se desligasse o interruptor com um gesto simples e rápido! Apaga-se a luz: a tua existência radiosa, o teu ser confuso mas tão simples, as tuas mãos calejadas de toque delicado, os teus olhos profundos e brilhantes da minha presença. Nada mais se vê...
Nada mais se sente.
Porque não me chega o teu sorriso? Porque não é suficiente a presença?
Porque me matas, quando, na verdade, me amas?
Como estou morta, deixarás de me ver...
Não quero me que olhes, não quero que mais ninguém me olhe como eu sou de verdade... e é por isso, que vale mais não existir...
Este é o dia em que morri!
Só porque escolhi morrer para ti...
Afinal morrer não é assim tão mau!
Eis o momento de bloquear todo e qualquer sentimento, sinal de vida e existência.
Agora já não existo mais.
Deixei de Ser, de Haver, de Existir!
É assim a morte... um poço fundo, sem fim, onde nada existe.
Já não doi o corpo, já não doi o espirito abandonado
Já nada doi...
É apenas a morte, a ausência, o não ser.
Prefiro permanecer morta.
E escolho fazê-lo.
Sei que flutuo na morte por minha própria vontade: que bastaria olhar pra cima e procurar esperança.
Sei que teria força: tenho-a sempre!
Sei que resistiria: porque eu sempre resisto!
Sei que aguentaria: eu aguento sempre!
Mas não quero resistir, não quero mais aguentar, não quero mais ser resiliente! Acabou.
Saber desistir é uma qualidade que eu não tenho. Por isso, prefiro permanecer morta.
Não quero ser mais abalroada por esta ternura que transborda do teu sorriso.
Para ti é igual... Mas para mim, não...
Fica com a minha lividez, sucumbe ao peso da morte!
A minha morte! Um peso, que por mais que treines nunca vais conseguir levantar...
Vive com a culpa: porque foste tu que me mataste!
Quem pode confiar em alguém?
Por isso vivo com a minha morte, a minha escuridão, o meu fim. Porque não me abandonam, não me desprezam, não fingem não me amar...
Porque me acompanham, porque escutam a minha dor e tornam-na sua, até a dor ser novamente morte...
Não me amam mais que tu, mas são constantes, fiáveis, perenes...
Não sorrio, não existo, não sou...
Mas não sofro!
Porque não sou e não penso!
Porque na ausência da morte está a tua ausência...
Na escuridão apaga-se o teu ser prateado...
No fim, nada mais há a dizer!
Acaba-se a felicidade e a dor. Como se desligasse o interruptor com um gesto simples e rápido! Apaga-se a luz: a tua existência radiosa, o teu ser confuso mas tão simples, as tuas mãos calejadas de toque delicado, os teus olhos profundos e brilhantes da minha presença. Nada mais se vê...
Nada mais se sente.
Porque não me chega o teu sorriso? Porque não é suficiente a presença?
Porque me matas, quando, na verdade, me amas?
Como estou morta, deixarás de me ver...
Não quero me que olhes, não quero que mais ninguém me olhe como eu sou de verdade... e é por isso, que vale mais não existir...
Este é o dia em que morri!
Só porque escolhi morrer para ti...
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